Impacto da sustentabilidade na análise do ciclo de vida do etanol brasileiro frente mecanismos regulatórios internacionais

Isabela Ferreira Rosa, Ieda Kanashiro Makiya, Francisco Ignacio Giocondo Cesar, Leonardo Bergamin

Resumo


Os biocombustíveis vêm ganhando mercado frente aos combustíveis fósseis devido à necessidade em minimizar a dependência destes últimos. A produção desses biocombustíveis concentra-se em três grandes polos mundiais: EUA, Brasil e União Europeia, que juntos representam aproximadamente 85% da produção mundial. Ações internacionais foram e estão sendo promovidas ao longo dos anos para aumentar a sustentabilidade dos biocombustíveis em várias etapas de sua cadeia produtiva. Por meio da Análise do Ciclo de Vida, o presente artigo avaliou as metodologias de cálculo das emissões de gases do efeito estufa das regulamentações internacionais e importantes players em termos de biocombustíveis, EUA e UE, RFS2 e EU-RED, respectivamente. A Diretiva Europeia apresenta uma metodologia própria de cálculo, enquanto que a Norte Americana conta majoritariamente com a metodologia GREET para cálculo. Assim, pôde-se observar que a Diretiva Europeia acaba excluindo algumas externalidades de sua análise, como as mudanças indiretas no uso da terra, e a utilização ou queima do biocombustível, acabando por não realizar a análise completa do ciclo de vida desses. Enfatizou-se como as duas metodologias analisam de maneiras tão distintas o etanol de cana-de-açúcar brasileiro. Assim, a importância dessa pesquisa vem ao encontro da necessidade de regulamentação de padrões internacionais de mesma referência na certificação do etanol como uma commodity global.

Palavras-chave


Gases de Efeito Estufa. Etanol. Regulamentações Internacionais. Cana-de-açúcar. Análise do Ciclo de Vida.

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DOI: http://dx.doi.org/10.14488/1676-1901.v17i2.2730

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